21.06.2010:
Por volta das 08:30hs da manhã do dia 21 de junho desembarcamos (eu, minha esposa Luciana e Rodrigo Roviralta) no aeroporto de Madrid, depois de aproximadamente 11 horas de vôo.
Essa viagem já estava programada a alguns meses, obviamente o ponto “alto” da trip seria o show do KISS que aconteceria no dia seguinte.

A primeira coisa que fiz na capital espanhola (além do check in no hotel obviamente) foi seguir para a FNAC retirar e nossos ingressos, já que tinha comprado pela Ticketmaster e possuía apenas os códigos referentes a essa compra.
Aproveitei e durante o caminho passei em algumas bancas de jornais para comprar algumas revistas com o KISS na capa, encontrei 02 diferentes.
Com os ingressos na mão, tiramos resto o dia para rever um pouco da cidade (já que faziam 12 anos que eu havia estado por lá), em pleno verão europeu, com temperaturas chegando a 38°, Madrid continua linda e segura, completamente tomada por turistas vindos de todas as partes do mundo.
No final do dia fiz contato com o André Pepino (amigo de Curitiba), que já estava na Espanha a alguns dias, combinamos de nos encontrar para jantarmos e nos conhecermos pessoalmente, já que até então, só havíamos nos comunicado via e-mail (isso mesmo, precisamos viajar quase 12.000Km para nos conhecermos pessoalmente).

Tudo agendado, e em poucos minutos estávamos juntos jantando em plena “Plaza Mayor”, para quem não conhece, um dos pontos mais visitados de Madrid.
Agendamos então como seria o nosso dia seguinte, nos encontraríamos pela manhã em meu hotel, seguiríamos para a “Plaza del Sol” encontrar com um amigo espanhol que tenho (Santiago Pradas, presidente do site “KISS FOREVER SPAIN” – un gran tipo !), onde trocaríamos alguns materiais do KISS e combinaríamos como seria o grande dia.
22.06.2010:
Um dos dias mais incríveis da minha vida havia chegado, e eu não tinha a mínima noção do que estava por acontecer.

Tudo perfeito, eu e Luciana nos encontramos com André, seguimos para o local onde encontraríamos Santiago que nos deu a informação privilegiada de onde o KISS estava hospedado. Trocamos muitos materiais, ao todo foram quase 20 itens que recebi de presente: revistas, pôsteres, dvd’s, jornais e cd’s promo, Santiago vinha guardando alguns itens pra mim desde a sua ida aos shows da Alemanha, ele esteve em alguns países europeus acompanhando a turnê... obviamente lhe entreguei os itens que eu havia levado e ficamos conversando por alguns minutos.
Agora com o endereço do hotel em mãos, mudamos nossos planos, seguimos para o hotel (Villa Magna) para ver se a informação conferia.

Tomamos o metrô na “Plaza del Sol” com destino ao hotel, descemos na estação “Ruben Dario”, caminhamos alguns metros e lá estávamos... praticamente nenhuma movimentação no hotel, nenhum fã, ninguém com camisetas negras na porta, cheguei a pensar que a informação não era verdadeira, mas como já estávamos ali (eu, Luciana e André), resolvemos que na pior das hipóteses almoçaríamos em um belo restaurante e conheceríamos um dos hotéis mais bacanas da cidade.
Ao adentrar no hotel, demos de cara com Shannon Tweed tomando um café tranquilamente... nesse momento estava claro, ELES estão aqui !!!
Procuramos um lugar estratégico para sentarmos e pedimos algo para beber... ao olhar para fora, vimos Tommy Thayer juntamente com seu empresário conversando... uau !!! é aqui mesmo !!! daqui ninguém tira a gente !!!
Enfim, Nick Simmons, a esposa do Tommy e alguns membros do “crew” andando pra lá e prá cá, até que Luciana avista Gene no balcão de check in fazendo algumas filmagens para o seu programa... pra mim, aquela cena já valeu todo o dia, eu estava finalmente a poucos metros de um dos meus ídolos de infância (digo isso porque ainda me considero uma criança de 38 anos), fiquei observando ele trabalhar por alguns instantes.
Obviamente eu e o André estávamos parecendo 02 crianças, hoje, revendo as filmagens que fiz, consigo efetivamente perceber o que estava se passando naquele momento.
Como a grande maioria sabe, pra mim Paul Stanley é a alma do KISS e disparado o meu integrante preferido , e até aquele momento nem sinal do “homem”.
Enfim, em meio a tudo isso avisto nosso querido Rodrigo Roviralta (que eu não via desde o aeroporto) sentado com 02 amigos.
Conversamos rapidamente e combinamos de não nos “aglomerarmos” em uma única mesa para não dar na cara que éramos fans.

Vi que uma movimentação aconteceu e todo mundo sumiu... e em poucos minutos vejo Gene, Nick e Doc saindo e entrando em uma van, enfim, vi um dos meus ídolos de pertinho mas não tive a oportunidade de lhe falar nada, de pegar um autógrafo, uma foto (pelo menos comigo ao lado)...

Com o lobby do hotel vazio de gente “KISSERA”, resolvemos então irmos todos juntos almoçar no restaurante do hotel, assim aumentaríamos a chance de vermos mais algum integrante... mas nada aconteceu, então aproveitamos o maravilhoso almoço !
Como já estávamos próximos das 16:00hs, resolvemos ir embora para o hotel para colocarmos nossas camisetas do KISS, apanhar os ingressos e seguir para o “Palacio de los Deportes”, ginásio onde aconteceria o show, já que nossos ingressos davam direito a acessar o local mais cedo.
Isso feito, chegamos no ginásio (para quem conhece, lembra um pouco o ginásio do Ibirapuera em São Paulo), porém fica em uma área mais comercial.

Seguimos para a área do Meet & Greet, apresentamos nossos ingressos ao Dean Snowden (fotógrafo e manager de marketing do KISS), retiramos nossas credenciais (em meio a essa parte, existe uma história incrível que contarei em outra oportunidade) e adentramos o ginásio.
Lá estavam apenas os portadores dos ingressos Premium e os Meet & Greet, Luciana seguiu para o nosso lugar marcado (já que ela não iria fazer o M&G) e eu e o André ficamos ansiosamente aguardando a liberação do backsatge.

Aproveitamos esses minutos de tranqüilidade e fomos até uma das famosas lojinhas, lá compramos nossos tourbooks, pen-drives, correias de guitarra, pôster e camisetas (particularmente achei os preços muito bons, já que estávamos pagando tudo em euros), nossas mochilas ficaram mais cheias, já que tínhamos LP’s, cd’s e outras tranqueiras para autografar.
Também conhecemos os dois responsáveis pelo “KISS ARMY SPAIN”, Fernando e Javier, que ao verem a camiseta do “KISS ARMY BRASIL” do André, prontamente vieram falar com a gente.

Enfim pontualmente as 20:30 min, seguimos para a sala onde receberíamos o KISS, tudo muito organizado, nada de euforia incontrolável como vemos em alguns países.
Se não me engano eram 32 pessoas nesse dia, Dean Snowden dando as instruções (tenho tudo isso filmado), e distribuindo mais um Pack de KISSitens para os fans (01 tourbook, 01 foto autografada pelos 04, 04 palhetas (uma de cada integrante) 01 cartão com a senha para baixar a foto oficial e um pôster numerado referente a Sonic Boom Over Europe) a minha máquina e a do André nunca tiraram tantas fotos em tão pouco tempo.
Alguns minutos depois adentram a sala os 4 mascarados, um momento muito emocionante, ao som de “Modern Day Delilah” os 4 se posicionam para tirarem as fotos individuais, o mais incrível é que Paul cantava vários trechos das musicas do SB (que fazia a trilha sonora do local), acredito que ele faz isso para ir “esquentando” a voz... a galera vai ao delírio quando ele canta algumas estrofes de “Never Enough”, musica que com certeza entrará no novo set list.

Estávamos vivendo momentos de sonho, logo após todos tirarem suas fotos individuais (são tiradas 02 para garantir que 01 delas ficará boa), Gene, Paul, Eric e Tommy saem da formação clássica e seguem ao encontro dos 32 mortais que estavam ali.

Vale a pena lembrar que Nick e Shannon estavam por ali o tempo todo... mas querem saber, ninguém olha pra eles... rs !

Nossas fotos e vídeos registraram esses momentos incríveis, o “bate-papo” é rápido, nada de contar a vida para os caras, mas achei muito honesto como as coisas são conduzidas, nada de limitação de autógrafos, de fotos... nada disso, a “coisa” acontece naturalmente, a magia é tão grande, que depois você fica se perguntando por que não fiz isso ou aquilo... mas não importa, cada segundo valeu.
A única acelerada é quando Doc vem chamar-los para subir ao palco (sim, eles saem dali e já vão para o palco), tanto que se você não der uma apressada para chegar no seu lugar, o show já estará começado.
Em resumo, foram aproximadamente 40 minutos de muita emoção, quem pretende fazer um M&G não deve pensar 02 vezes, acho que cada centavinho vale a pena, e uma dica (como o próprio André falou), não vá sozinho, tenha um amigo que possa tirar as suas fotos, isso com certeza lhe dará um arquivo incrível de informações desse momento tão bacana.
Resenha do show:
Pontualmente às 21:30hs escutamos “Immigrant Song” do Led, as luzes se apagam, o ginásio completamente tomado (16.000 pessoas) entra em estado de êxtase, nos telões laterais vemos o globo terrestre se aproximando da câmera até chegarmos no local do show (algo como o google earth), vemos os 04 gigantes caminhando pela cidade... em seguida vemos eles caminhando do backstage até o palco e ouvimos o incrível “grito de guerra”, a cortina cai ouvimos a primeira explosão da noite, os primeiros acordes de “Modern Day Delilah” são ouvidos (uma das 03 músicas do novo disco que são tocadas nessa turnê), e os 4 cavaleiros: Gene, Paul e Tommy aparecem na plataforma elevatória que os leva até o palco e Eric já na bateria iniciando a sua performance impecável, êxtase geral !
Depois vieram: “Cold Gin”, “Let me Go”, “Firehouse” e “Say Yeah” (a segunda do disco novo tocada na Tour), cantada de forma unisona pelas 16.000 pessoas ali presentes, tenho um grande amigo que passou mal quando ouviu essa música (!!).

Paul estava ótimo, com muito vigor, sempre interagindo com o público, e a resposta sempre era imediata, e a exemplo do show que vi em Buenos Aires no ano passado, Paul tentava se comunicar em castelhano, a tradicional “Guantanamera” e “ Una Paloma Blanca” não faltaram no seu repertório.
Podia se ouvir em alguns intervalos entre as músicas o tradicional “olê, olê, olê” dos espanhóis, realmente muito emocionante.
Seguiram com mais um clássico: “Deuce”, e depois a maravilhosa (já não tão surpresa) “Crazy, Crazy Nights”, me senti novamente no final da década de 80, logo após a sempre deliciosa “Calling Dr. Love”.
Dando continuidade a essa primeira parte do show, Tommy (que para mim cumpre o papel do Space Ace com muita honestidade) apresenta “Shock Me”, não sei porque não tocar a sua música do novo disco, acho que faria mais sentido, acredito que isso será modificado na nova turnê americana... seguimos com o solo de bateria de Eric Singer (sempre muito preciso), onde a bateria se movimenta juntamente com sua plataforma gigantesca.
A próxima música é “I’m An Animal”, vi que não sou o único a achar essa música “morna”, o público não correspondeu com tanto calor, penso que ela faz parte do set para que Gene apresente algum tema novo, eu particularmente prefiro “Yes I Know (Nobody’s Perfect)”.

Seguiram com mais alguns clássicos: “100.000 Years”, e o maravilhoso solo de baixo, sempre acompanhada da emblemática performance com o sangue e o “vôo” até o topo do palco, incrível como algo que acontece a tantos anos ainda faz com que o público vá ao delírio, Gene realmente sabe como fazer isso.

“I Love it Loud”, perfeita, com muita energia (para os fans brasileiros com mais de 35 anos esse momento é especial), “Love Gun” e suas explosões é um dos pontos altos do show, e a tão esperada (pelo menos para mim) “Black Diamond”, com direito a um pequeno trecho de “Whole Lotta Love”, mais uma vez o Led que tanto inspirou o KISS presente no show.
“Detroit Rock City” fecha a primeira parte do show, para mim, essa música é o segundo hino da banda.

Uma coisa que vale a pena ressaltar é o visual do palco, inúmeros monitores de alta definição e o gigantesco letreiro são um show à parte.

Uma pequena pausa, o público segue cantando e pedindo o retorno da banda, lentamente os 4 heróis retornam ao palco com seus instrumentos e vemos Eric Singer se posicionar a frente de todos com o microfone na mão, surgem as primeiras notas de “Beth”, tocada de forma acústica, inegavelmente um clássico do KISS, alguns fans contestam que essa música esteja sendo executada pelo “novo gato”, eu não penso dessa forma, eu não via essa cena ao vivo desde o show de Interlagos.
“Lick it Up” teve como introdução a deliciosa “Forever” de forma acústica, e foi cantada novamente em unísono pelo público, seguiram com “Shout it Out Loud”.

Mais um momento memorável do show , Paul pergunta a todos se querem que ele chegue um “pouco mais perto”, obviamente a resposta é positiva, em poucos instantes ele está “voando” por cima do público chegando até uma plataforma giratória, onde apresentou mais um grande clássico do final dos anos 70, “I Was Made for Lovin’ You”... foi explosiva, o publico canta toda a música com a alma, o delírio é geral, é incrível como Paul Stanley (pra mim um dos maiores font man do rock) consegue comandar multidões.
“God Gave Rock N’ Roll To You II” (versão do Argent) foi um dos temas mais emotivos do show, com imagens projetadas de todas as fases da carreira da banda (com direito a muito Ace e Peter), de músicos que fizeram história como: Eric Clapton, Janis Joplin, Jimi Hendrix e principalmente de Eric Carr (eterno baterista da banda), realmente um momento muito especial dentro do set.
“Rock and Roll All Nite” fecha a noite com maestria, a tradicional chuva de confetes transforma o Palacio de los Deportes em uma verdadeira festa, Paul Stanley destroi sua guitarra e o sonho chega ao seu fim, não era difícil ver adultos e muitas, muitas crianças emocionadas com aquele momento que acabavam de viver (entre eles esse que vos escreve).

Ter a oportunidade de ver um show do KISS é para poucos, saí de lá com o sentimento de que teremos em breve novas surpresas, a banda está vivendo um momento incrível, Tommy e Eric trouxeram um novo “gás”, pra mim o KISS será eterno, pelo menos dentro do meu coração.

Depois do show:

Saimos os 3 completamente extasiados (minha mulher conheceu o KISS a 4 anos, na época em que começamos a namorar, me emocionei em ver ela curtindo cada música, esse é o 2º show do KISS da vida dela, tenho certeza que verá mais alguns - rs), fomos comer alguma coisa e obviamente não dormi...
No dia seguinte começou a minha viagem pela Europa... mas (pelo menos para mim) o melhor já tinha acontecido ! Ricardo Lopes. |